Sobre o Pinheiro-Manso

Nome e Origem

Nome cientifico: Pinus Pinea.

Familia: pertence à família Pinaceae e ao género Pinus

Origem: Até há pouco tempo acreditava-se que o pinheiro-manso seria originário do Mediterrâneo Oriental (Ásia Menor) tendo-se alastrado por toda a Bacia Mediterrânea. Contudo, estudos recentes concluem que esta espécie é autóctone na Península Ibérica.

Habitat

O pinheiro manso prefere solos soltos e arenosos, sendo muito pouco exigente em nutrientes. Considerado indiferente às características químicas do mesmo, já se encontraram exemplares em solos com pH desde 4 a 9.

Tem preferência por luz abundante e suporta bem o calor. Pode ser encontrado em altitudes que variam desde o nível do mar até aos 1000 metros.

Suporta temperaturas desde os 20°C até aos 41°C. A temperaturas baixas prolongadas, inferiores 12°C, a árvore poderá começar a ser afectada. Requer temperaturas médias do mês mais frio superiores a 0ºC e temperaturas médias do mês mais quente até 20 24°C. 

É uma árvore com uma resistência considerável à seca, podendo tolerar até 6 meses de secura.

Crescimento & Longevidade

O crescimento é lento e pode chegar aos 200 anos. Foram identificados exemplares com 400-500 anos.

Pode atingir os 50 metros de altura, sendo o pico da altura médio de 20 metros.

Folhas

A folhagem do pinheiro-manso é persistente, formada por folhas aciculares, estreitas mas de grande rigidez, em grupos de duas. Apresentam uma cor verde clara e possuem 10 a 20 cm de comprimento e 1 a 2 mm de grossura, mantendo-se na árvore durante 3 anos.

No seu conjunto as folhas formam uma copa arredondada, em forma de guarda-sol (na língua inglesa, o pinheiro manso é conhecido como umbrella pine).

Folhas de PInheiro Manso

Fecundação & Fruto

O pinheiro manso é uma espécie monóica, ou seja a mesma árvore apresenta flores masculinas, os amentilhos, e femininas, os estróbilos. As floração amarelada acontece em Abril.

A primeira polinização regista-se na primeira primavera de vida do pinheiro-manso. Contudo, a fecundação regista-se apenas na terceira.

As primeiras pinhas do pinheiro manso poderão começar a surgir por volta dos 3-4 anos. Começa a frutificar em abundância entre os 15-20 anos, aumentando a sua produção até cerca dos 40-50 anos, começando a decair a partir dos 80-100 anos. No pico da frutificação um pinheiro manso pode produzir até 1000 pinhas.

Sistema radicular

No pinheiro-manso predominam raízes finas que estão agarradas a uma raiz grossa, mas fraca. A área explorada pelas raízes é cerca de 8 a 52 vezes maior que a área de projeção horizontal de copa.

Utilizações económicas

O pinheiro-manso oferece 5 elementos com utilidade económica:

  1. Madeira
  2. Pinhão
  3. Pinha
  4. Resina
  5. Casca de Pinheiro

O valor económico apresenta uma variação considerável entre estes elementos, sendo a madeira e a pinha onde reside o maior valor.

Para além da utilidade económica o pinheiro manso tem ainda uma utilidade ímpar na conservação dos ecosistemas, reconversão de ecosistemas degradados e ornamentação de território.

Em Portugal

Em 2005 o pinheiro-manso ocupava uma área total de 100.311 ha, dos quais 3.544 respeitantes a povoamentos puros, 30.386 mistos dominantes e 16.381 de povoamentos jovens (DGRF, IFN 2005/6). A zona de Alcácer do Sal é a que regista as maiores e melhores produções.

Contudo, a sua área de ocorrência tem vindo a aumentar bastante nas últimas décadas (sobretudo no sul) devido a novas plantações.

A figura abaixo ilustra as zonas do território continental com maior densidade de pinheiros-mansos.

fonte: brigadaflorestal

3 regras elementares na plantação

O pinheiro-manso é uma árvores de grande resistência, sendo que os cuidados para o plantar são extremamente simples.

Partilhamos assim três regras elementares a ter em conta na altura de plantar o seu pinheiro manso:

  1. Solo: Opte por terrenos arenosos. Solos pantanosos ou outros onde a água não drene eficazmente, não são recomendados.
  2. Local: Opte por locais com muita luz solar.
  3. Transladação: Mantenha as raízes intactas e com a terra que as acompanha. Poderá adicionar algum substrato, embora, na maioria dos casos, não seja necessário.

Para uma plantação em escala destinada à produção de madeira ou fruto, recomendamos que consulte as indicações do ICNF.

Enxertia

A enxertia constitui-se como uma técnica que permite acelerar a frutificação com impacto também na qualidade e quantidade das pinhas e do pinhão.

Um hectare de pinheiro-manso não enxertado produz, em média, 250 quilos, enquanto que um hectare de pinheiro-manso enxertado pode produzir até 1.000 quilos por hectare.

De forma simples, o processo consiste em recolher os espinhos, brotos ou ramos jovens que brotam da árvore, e introduzi-los noutras para enxertá-los e reproduzir assim as características do bom exemplar noutras árvores.

Nos últimos anos tem-se registado e Portugal um aumento significativo da procura por esta solução, derivado do rendimento económico que a enxertia potencia.

De entre os principais factores que impactam a a qualidade e quantidade de produção de pinhas destacam-se: estado fitossanitário, densidade do povoamento, idade da árvore, qualidade da estação, forma de condução e ainda as características genéticas.

Pinheiros Mansos enxertados (Foto: Asfova)

Fontes: CEF; FNAP; ICNF; DTYK; Naturalink; BrigadaFlorestal; Plantarumaarvore;